“Adiar início das aulas é equívoco”, diz Admir Ferro | Bastidor Político

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“Adiar início das aulas é equívoco”, diz  Admir Ferro “Adiar início das aulas é equívoco”, diz  Admir Ferro
  Secretário de Educação e Cultura de São Bernardo por 12 anos, Admir Ferro afirma que é equivocada a decisão da Prefeitura de adiar... “Adiar início das aulas é equívoco”, diz  Admir Ferro

 

Secretário de Educação e Cultura de São Bernardo por 12 anos, Admir Ferro afirma que é equivocada a decisão da Prefeitura de adiar a volta às aulas nas escolas municipais do dia 5 de fevereiro para o dia 19. A justificativa da atual gestão é a de que as unidades vão servir de ponto de apoio à vacinação contra a febre amarela.

“São muitos os motivos que me levam a essa conclusão. Considero inexplicável e lamento a decisão da administração municipal. Fica exposta a falta de compromisso público, falha de gestão e desrespeito às famílias”, afirma Admir, ao elencar as razões para seu posiciomaneto.

Ele observa que não seria necessário fechar uma escola inteira para servir de apoio à vacinação. “Bastaria adequar um espaço, seja uma sala ou uma área no setor administrativo, para que os profissionais da Saúde possam fazer seu trabalho.”

Admir Ferro ressalta ainda que as 34 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) estão sem filas para a vacinação. “Basta o cidadão interessado em receber a dose comparecer a um desses locais e será prontamente atendido. Até agora, 11% da meta de 707 mil pessoas vacinadas foi atingida. Se a administração municipal visa aumentar a adesão, que faça uma campanha explicativa para incentivar a população.”

O ex-secretário salienta também que a Prefeitura vai disponibilizar as vacinas em 102 escolas, como está sendo divulgado. Porém, existem muito mais unidades municipais. Mas todas, mesmo as que não forem usadas para o apoio à vacinação, ficarão sem aula.

Os gastos e transtornos com as reposições das aulas são outros fatores preocupantes. “A Prefeitura terá de repor as aulas do período. Com isso, muito provavelmente haverá necessidade de aulas aos sábados, o que acarretará em pagamento de horas extras a mais de 5.000 profissionais da Educação. E, assim, um gasto desnecessário num momento de contenção de despesas, como tem pregado o Executivo. Há, ainda, outras questões envolvidas nesse aspecto. Como ficará o transporte escolar particular aos sábados? As famílias pagarão a mais pelo serviço? Os prestadores de serviço estarão disponíveis? E o patrulhamento escolar da PM e da GCM? Ninguém explicou nada disso até agora!”

Admir Ferro afirma que haverá prejuízo para alunos e familiares. “O conteúdo passado aos estudantes nesse período ficará parcialmente comprometido, já que muitos não irão à reposição das aulas, que devem ocorrer aos sábados. Muitas famílias já marcaram compromissos e não poderão levar seus filhos à escola. São 90 mil alunos, consequentemente 90 mil famílias afetadas pela decisão da Prefeitura.”

E levanta os possíveis motivos reais para a decisão equivocada da Prefeitura. “Como se sabe, a Prefeitura tem feito mudanças na merenda escolar (ainda não sabemos se é uma mudança para melhor ou pior… vamos aguardar). Uma licitação está em andamento para contratação de empresa para fazer o serviço. Comenta-se que, hoje, por conta dessa mudança, não existem merendeiras para preparar o alimento aos alunos. Além disso, fala-se que o material e o uniforme escolar não estão prontos para serem entregues no primeiro dia de aula, como prometeu a Prefeitura. Há ainda relatos de mato alto em muitas escolas. Um desses – ou todos eles? – seria o real motivo do adiamento do início das aulas”, finaliza.