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HISTÓRIA & MEMÓRIA: Nossa Mauá ontem e hoje HISTÓRIA & MEMÓRIA: Nossa Mauá ontem e hoje
Por Daniel Alcarria Jornalista e Licenciado em História pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). O 22 DE NOVEMBRO E SEU LEGADO... HISTÓRIA & MEMÓRIA: Nossa Mauá ontem e hoje

Por Daniel Alcarria 
Jornalista e Licenciado em História pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

O 22 DE NOVEMBRO E SEU LEGADO HISTÓRICO: EMANCIPAÇÃO E DESENVOLVIMENTO.

A data de 22 de novembro possui significado especial para a cidade, quando há exatos 65 anos a população do então Distrito de Mauá decidiu por sua independência politica-administrativa em relação ao município de Santo André. O plebiscito emancipatório ocorreu em 22 de novembro de 1953.

Com 658 votos favoráveis e apenas sete contrários, o movimento autonomista obteve êxito e Mauá, a partir daquele momento passava a caminhar com suas próprias pernas.


O resultado vitorioso da causa emancipacionista coroou intenso movimento protagonizado pela sociedade mauaense desde o surgimento da campanha, iniciada ainda em 1946 com a fundação da Sociedade Amigos de Mauá e de seu jornal, a “Folha de Mauá”. Esse periódico foi o primeiro jornal genuinamente mauaense que se tem notícia, sendo o ideal autonomista seu grande motivador. Dirigido por Anselmo Haraldt Wallendy, membro da Comissão Pró-Emancipação, o jornal foi decisivo para a vitória do Sim no plebiscito de 1953 e porta-voz de Mauá na luta pela separação de Santo André.

Os Autonomistas


Da Sociedade Amigos de Mauá e de seu jornal, a crescente força do movimento autonomista centralizou seus esforços com a criação da “Comissão Pró-Emancipação de Mauá”, em outubro de 1951. Egmont Fink foi seu presidente e Manoel Pedro Junior, vice. Os demais diretores: José Figueiredo, Ariocy Rodrigues Costa, Rinaldo Chiarotto, Tercilio Tamagnini, Harry Horst Walendy, Emilio Romeu, Inocêncio Pedro, Sokiti Nakandakare, Orlando Cirilo, Francisco Lopes Gimenes, Anselmo Walendy, André Binoto, Nelson Chiarotto, Leopoldo Mantovani, Rubens Durval Antico, Luiz Novi e Norival Alves dos Santos.


Dentre os presentes no grupo autonomista, muitos representavam outros setores da sociedade mauaense, como no caso o futebol e as artes cênicas, por exemplo. Sugestivamente denominado de “Independente FC, esse grande clube foi também um porta voz do movimento autonomista e “a luz da revolução da arte e da cultura na cidade”. O autonomista Anselmo Walendy foi fundador do clube grená e um dos pioneiros nomes do ativismo político-cultural da história de Mauá.


O plebiscito realizado em 22 de novembro de 1953 alçou a cidade de Mauá ao conjunto dos municípios autônomos, cujo resultado foi decorrente de sua crescente importância econômica regional, lembrando que ocorre justamente nas décadas de 1940 e 1950 a formatação final do que conhecemos hoje como ABC paulista. São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Ribeirão Pires também obtiveram suas autonomias no período.


Curiosidades da emancipação


Quando da criação do movimento emancipacionista por gente da política e do futebol, os clubes do então Distrito de Mauá eram todos filiados à Liga Santoandreense de Futebol e disputavam os campeonatos promovidos pela entidade do grande município ao qual Mauá buscava separar-se. Com o recrudescimento das ações independentistas e consequentemente, das animosidades entre Santo André e seu distrito rebelde, também o jogo de futebol conheceu suas disputas entre as duas localidades.


Os times de Mauá, sobretudo o Independente FC e o Industrial, vinham conquistando diversos campeonatos em Santo André. Em 1953, ano das comemorações do quarto centenário da terra de João Ramalho Santo André (e do plebiscito emancipatório de 22 de novembro), os times mauaenses fizeram literalmente a festa: AA Industrial campeão do campeonato principal e Independente FC campeão da Primeira Divisão. Em suma, num ano de festas para Santo André, quem fez a festa foram os times de Mauá, que com atos simbólicos como as desempenhadas por aquelas conquistas esportivas, “o futebol mauaense ia dando seu quinhão pela liberdade de Mauá”, conforme expressão de Ademir Médici.


Quanto ao resultado da votação do plebiscito, a curiosidade fica para o baixo comparecimento do eleitorado (54% dos eleitores inscritos se abstiveram de votar), mesmo com toda campanha realizada. Dos quase 1400 inscritos para votar, apenas 670 eleitores compareceram às urnas instaladas no então Ginásio Estadual Visconde de Mauá, que ficava na Paineira. E mesmo assim, o sufrágio conheceu cinco votos em branco e sete contrários à emancipação. E dentre os sete votos contrários, dois são conhecidos: o do então deputado estadual Elio Bernardi (depois, duas vezes prefeito de Mauá) e do empresário Luis Alesina.

A data em que o município de Mauá comemora seu aniversário foi consagrada mesmo antes de sua autonomia, no caso o dia 8 de dezembro, como uma homenagem à padroeira da cidade (Imaculada Conceição). Mas o 22 de novembro certamente é a data mais significativa para a existência autônoma deste grande município que infelizmente pouco (ou quase nada) cultua em homenagem a tal grande fato e seus idealizadores.

Referências bibliográficas:

ALCARRIA, Daniel. Futebol e Política em Mauá (SP): as relações entre esporte e poder numa cidade operária do ABC Paulista (1945-1981). 2018. 43 f. TCC (Licenciatura em História) – Centro de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

MEDICI, Ademir. De Pilar a Mauá. Prefeitura Municipal de Mauá, 1986.

PUNTSCHART, William. Mauá: Entendendo o passado, trabalhando o presente e construindo o futuro. Noovha América, 2012.

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